Saudação de Obá: Obá chirê. Obá, divindade das águas, Orixá feminino, Orixá guerreira. Conta a lenda
que Obá guerreou com todos os Orixás e a todos venceu. Faltava apenas Ogum, Orixá masculino, dono do ferro e Orixá da guerra, não queria perder este duelo. Então, decidiu consultar Ifá, Deus da adivinhação.
Ifá lhe ensinou uma armadilha para vencer Obá no dia do duelo. Ogum socou em um pilão bastante milho e quiabo fazendo uma pasta bastante viscosa. No dia da luta ele espalhou esta pasta em um canto do lugar marcado. Quando a luta começou Obá estava levando muita vantagem sobre Ogum. Então, Ogum começou a direcionar a luta para o canto onde estava a pasta de quiabo. Quando Obá pisou na pasta ela caiu e perdeu a luta. Neste local, Ogum a possuiu.
Obá foi uma das três esposas de Xangô, sendo Obá, Iansã e Oxum. Obá, a esposa mais velha, ficava intrigada pela preferência de Xangô por Oxum e perguntou a ela o porque dessa preferência. Oxum, muito ardilosa, afirmou que era pro causa da comida que fazia para ele.
Oxum, usava turbante que lhe escondia as orelhas e aproveitou-se disso e disse a Obá: “Eu cortei as minhas orelhas e cozinhei no amalá de Xangô (prato preferido de Xangô). É por isso que ele me prefere”. Era tudo mentira, mas Obá, muito inocente, acreditou nas palavras de Oxum e sem pensar cortou uma das orelhas e cozinhou no amalá. Quando foi servir ao seu amado, Xangô, ao ver a orelha no prato, o turbante banhando em sangue, ficou furioso e expulsou Obá de seu reino. Foi assim que Obá foi viver na mata e na companhia do Orixá Oxossi, aprendeu a caçar com arco e flecha.
Faz parte da sociedade Elecô, que na África é uma sociedade secreta que lida com Eguns (almas). Por isso, também tem o poder e regência sobre os Eguns. Nunca perde uma batalha a não ser por traição. Oba também é considerada a Deusa do amor e resolve causas amorosas devido a seu problema com Xangô.
Quando Obá está em terra incorporada em sua filha, imediatamente, lhe é colocado um ojá (lenço) envolvendo sua orelha. E se uma filha de Oxum também estiver incorporada com a divindade, Obá parte para cima dela em luta acirrada, precisando o zelador de Orixá intervir por Oxum, pois Obá fica furiosa e parte para cima de Oxum em uma luta de morte.
Oba veste cor vermelha e usa um adorno na cabeça tampando uma de suas orelhas, sua conta é marrom, sua pedra é a granada e a turquesa, seu metal é o cobre. Usa uma adaga, uma peitoral de cobre, um escudo, o Ofá.
Arquétipo das filhas de Obá: é o das mulheres valorosas e incompreendidas. Suas tendências um pouco viris fazem-nas com freqüência voltar-se para o geminismo ativo. Suas atitudes militantes e agressivas são experiências de conseqüências infelizes ou amargas por elas vividas. Entretanto, encontrarão geralmente compensação para as frustrações sofridas em sucesso material, onde as suas atividades de ganho e o cuidado de nada perder dos seus bens tornar-se-ão garantias de sucesso. Obá chirê! Motumba Iyá.
Axé para todos.